A Industria Alimentar Aliada às T.I.

Para esta edição da Programar, aceitei o desafio de escrever um artigo que pretende relacionar a indústria alimentar com o sector das Tecnologias de Informação. Todos sabemos que por trás de um sistema informático, está pelo menos um programador. E um programador é por si só, um facilitador de processos. O exemplo prático que irei apresentar ao leitor reflete a ascensão que os sistemas informáticos estão a ter na indústria alimentar. Este é um dos temas em que estou a trabalhar atualmente na minha dissertação de Mestrado em Engenharia Alimentar (Instituto Superior de Agronomia). Ao estagiar numa pequena empresa que se encontra na fase de implementação é fundamental perceber o impacto que um sistema informático pode causar no dia-a-dia da produção, pois este permite uma melhor gestão e um acesso praticamente imediato à informação.

Só em Portugal, segundo dados apresentados no eInforma, existem atualmente 18.712 empresas da indústria alimentar, o que representa 11,4% das indústrias transformadoras existentes no país. Ao longo dos anos o sector alimentar tem vindo a ajustar-se às novas tecnologias, tirando partido das mesmas, aliando o controlo da produção e qualidade à vertente tecnológica. Sendo um sector bastante conhecido pelo excesso de registos diários que se transformam em pilhas de papéis, com a evolução destes sistemas informáticos deixa-se de necessitar de papel passando-se a recorrer a um tablet existente no chão de fábrica. De um modo eficaz e em tempo real é possível transformar muitos dos dados em informação de apoio à gestão.

Podemos denominar esta nova forma de gestão de smart manufacturing, porque estes sistemas ao funcionarem com internet conseguem ligar-se a vários departamentos do processo produtivo reportando, em tempo real, as suas atividades. A revista Food Engineering realizou recentemente um inquérito em que pergunta aos seus leitores, a área em que vêm o smart manufacturing a criar mais impacto no processo, e a resposta mais votada foi a organização no trabalho. O que não é de estranhar, uma vez que é possível relacionar num só programa as rotinas administrativas e produtivas:

  • Gestão da Produção (ex: agendamento de ordens de fabrico);
  • Área Administrativa e Financeira (ex: recursos humanos);
  • Gestão de Stock;
  • Entre outras funcionalidades.

O uso dos sistemas informáticos já começa a ser uma realidade cada vez mais recorrente de algumas indústrias alimentares, principalmente nas grandes indústrias que são as que possuem capital suficiente para procederem ao investimento tecnológico. Em Portugal já existem inúmeras empresas capazes de fornecerem este tipo de serviços, saliento duas que considero mais relevantes:

  • Flow Technology da FoodInTech que é praticamente um veterano na indústria alimentar é capaz de fornecer uma gestão na produção, qualidade e segurança alimentar;
  • Prodsmart que está a dar os primeiros passos na indústria alimentar estando a evoluir de forma a responder às necessidades dos seus clientes, fornece atualmente um programa de gestão de produção.

Pegando nestes dois exemplos, podemos afirmar que o grande desafio destas duas empresas é demonstrar as inúmeras vantagens que os seus serviços podem possuir, considerando cada cliente único. Têm assim como principal objetivo oferecer aos seus potenciais clientes um serviço que seja flexível e ajustável às necessidades de cada área, sendo imperativo que não se obriguem as empresas a sujeitarem-se a uma reestruturação incompatível com a sua realidade financeira e com a sua dimensão. Confesso que o primeiro contacto com esta nova forma de gestão tive em conta a expressão “primeiro estranha-se e depois entranha-se” de Fernando Pessoa, mas depois ao pensar fora do quadrado conseguimos perceber que os vários departamentos existentes numa empresa ao funcionarem em tempo real, interligados entre si conseguem trabalhar e produzir de forma muito mais eficiente.

Apesar do sistema informático envolver um elevado investimento inicial, acredito que este investimento irá fazer com que a médio prazo todas as pequenas, médias e grandes empresas acabem por aderir. Para as empresas continuarem a competir no mercado, necessitam de estar numa permanente atualização e comprometidas com a inovação. O investimento tecnológico é sem dúvida para muitas empresas fulcral, porque conseguem manter-se ativas no mercado e vir a reduzir os seus custos de produção a curto prazo através de uma eficiente gestão de recursos.