Dados dados…

Com a denominada revolução da Web 2.0, a utilização que muitos davam à internet foi completamente modificada. O utilizador comum passou de um simples leitor e recolector a um dos mais importantes factores na Web. Hoje é possível encontrar blogs sobre quase todos os assuntos, que reflectem muitas vezes uma simples opinião pessoal e não uma verdade absoluta.

Todavia, mais perigoso que a existência de informação errada é a existência de excesso de informação sobre cada um. Isto levanta a questão de para que verdadeiros fins poderão ser utilizados os dados lá colocados. De certeza que se lembra das famosas “Perguntas Secretas”, o sistema utilizado pelos serviços de correio electrónico para podermos redefinir a nossa senha em caso de esquecimento. Perguntas como “Qual foi o meu primeiro cão?” ou “Qual é a minha cor preferida?”. Actualmente um dos meios mais práticos para descobrir esses mesmos dados, é fazer uma pesquisa pelo Hi5, Facebook e quem sabe não será fácil descobrir uma história “apaixonada” sobre a vida do seu primeiro cão? Ou então descobrir que todas as personalizações feitas às páginas são de um determinado tom de cor? Isso são dados pessoais dados, apesar de muitas vezes não termos noção da real utilidade que os mesmos podem ter.

Recentemente a CNPD (Comissão Nacional de Protecção de Dados) impediu a Google Portugal de recolher mais imagens para o seu serviço Street View de outras cidades portuguesas ainda não contempladas, até ser informada sobre a ferramenta utilizada para garantir a privacidade das pessoas (desfocando caras e matrículas), e que esforços está a fazer a Google para a melhorar de modo a não ser tão falível como actualmente.

Também recentemente o director executivo da Google, Eric Schmidt, afirmou: “Penso que sociedade não entende o que acontece quando tudo está disponível, publicado e gravado por todos, o tempo inteiro.” Esta questão levantou muitas críticas, principalmente por parecer defender ideias contrárias à da própria Google. No contexto destas declarações um colunista do New York Times escreveu: “É impossível apagar o seu passado online e seguir em frente.” No entanto Eric Schmidt ainda foi mais longe ao afirmar: “Mostre-nos 14 fotografias suas e nós vamos identificá-lo. Acha que não há 14 fotografias suas na internet?”

Também após muita polémica, e trocas de acusações, no inicio deste ano lectivo 700 escolas vão passar a ter videovigilância instalada, mas para garantir a privacidade, a CNPD estabeleceu regras para a instalação das câmaras nas escolas. Não podem estar direccionadas para zonas de recreio e salas de aula, mas apenas em locais de acesso à escola e nas suas imediações.

Isto mostra sem dúvida a preocupação crescente sobre aquilo que podemos partilhar sem que amanhã nos arrependamos disso.

Nota: A Revista PROGRAMAR, depois de um acordo com a FCA, irá disponibilizar análises a algumas das publicações da FCA, nomeadamente livros directamente relacionados com a programação. O nosso intuito é criar análises rigorosas e isentas que demonstrem os pontos positivos e negativos das publicações. Estamos também a preparar outras parcerias com o intuito de lhe trazer a si, o nosso leitor, uma melhor e maior informação.

António Silva

Publicado na edição 25 (PDF) da Revista PROGRAMAR.