(Des)Informação

Actualmente muito se têm falado sobre tudo. Falado e especulado. Com a saída de Steve Jobs da Apple especula-se qual serão as implicações para a marca da maçã. Com o lançamento do Windows 8 especula-se sobre a capacidade deste conquistar o mercado dos tablets. Com a conferência da Apple “Let’s talk about IPhone” especulou-se sobre o possível anúncio da data de lançamento do IPhone 5. Com o abandono da Nokia, especulou-se o que aconteceria ao sistema operativo Meego. E muito mais se especula.

Infelizmente a nossa sociedade vive presa às especulações, e creio que o melhor exemplo disso, nem está na área tecnológica, mas sim na área financeira com a crise em que vivemos ser altamente ampliada pelas especulações. Há uns anos atrás sempre que alguém queria dar um exemplo financeiramente forte sobre especulações falava sobre a famosa Quinta-feira negra, onde as acções de um dia tiveram efeitos nos anos seguintes e onde aconteceu a muitos acordar rico e adormecer pobre. Todavia hoje não precisámos de dar um exemplo tão longínquo no tempo e em que muitos não conhecem as verdadeiras consequências. Agora podemos fala no presente.

Mas não precisámos de falar apenas na área financeira, podemos falar de qualquer área, inclusivamente a informática. Apesar de o IPhone 5 ainda não ter sido lançado, nem existirem provas de que alguma vez irá ver a luz do dia, a “publicidade” feita em torno dele, torna-o no alvo de curiosidade para o bem e para o mal. Chamar-lhe-ia publicidade gratuita. Se eu dissesse que era provável um canal de televisão deixasse de existir no dia x, estaria a especular. Provavelmente teria pouco reflexo na sociedade, uma vez que os próprios meios de comunicação social me dariam pouco tempo de antena, ao invés destes assuntos sobre grandes empresas. Contudo estaria a distorcer o mercado, criando expectativa em volta de algo que eu apenas defendia/acreditava, mas sem ter provas ou factos.

Numa área cujo nome deriva de Informação automática, a verdadeira informação que é processada, comparativamente com o total de dados é cada vez menor. Cada vez mais recorremos a uma ferramenta que deveria armazenar e processar dados gerando informação, contudo devido à falta de fidedignidade das fontes e contrariedade dos dados lá introduzidos é muitas vezes gerada desinformação. Se eu disse-se que o mundo acabava hoje dentro de 5 minutos, mesmo que muita gente acredita-se em mim pouco podia fazer até verificar a veracidade dessa informação. Passados 5 minutos saberiam se era verdade ou não. Se eu disser que o mundo acaba em 21 de Dezembro de 2012 ainda se terá muito que esperar até se conseguir confirmar ou não a afirmação. Por isso não é informação, mas sim especulação. Especulação que faz vender, que mexe com os mercados, que coloca em muitos os nervos à flor da pele, que deixa outros com um sorriso de vitória, que impede o sono tranquilo de muitos, mas que não passa de uma simples afirmação, cuja veracidade não pode ser demonstrada na altura em que foi proferida.

NR: Em notícia de última hora soube-se do falecimento de Steve Jobs. Para o bem e para o mal foi um nome incontornável no mundo da tecnologia, e que contribuiu para a sua evolução, por isso aqui ficam registadas as nossas condolências.

António Silva

Publicado na edição 31 (PDF) da Revista PROGRAMAR.