Erro: Título não definido

Cada vez mais é exigido rigor em todos os aspectos nas mais variadas áreas. A pro- gramação não é excepção, tanto mais se pensarmos que cada vez mais a tecnologia faz parte da vida das pessoas. Nos dias que correm é natural exigir que qualquer aplicação não possua erros de compilação nem os famosos warnings. Todavia estes são sem dúvida os mais fáceis de corrigir. O problema é quando aparecem os denominados erros de runtime. Algo que o programador não previu no seu algoritmo e que se pode tornar numa autêntica bomba, capaz de detonar o programa todo. E se pensarmos que numa aplicação de contabilidade, o que poderá acontecer é ser necessário repetir a operação, no caso de uma aplicação de uma nave espacial, por exemplo, o caso de uma divisão por zero que não seja protegida, quando a nave está a calcular o ângulo de entrada na atmosfera, pode determinar a diferença entre o prejuízo de milhões e o lucro, talvez até entre a vida e a morte.

Ao contrário de muitas outras áreas, a programação não é ainda alvo da chamada prova científica, apesar de Informática ser considerada uma ciência. Se perguntarmos a um Engenheiro Civil a razão porque determinada ponte não caí, ele explicar-nos-á com cálculos matemáticos que garantem a estabilidade da ponte. Se perguntarmos à grande maioria dos Programadores ou até Engenheiros Informáticos o porquê do programa funcionar correctamente, muito dificilmente obteremos uma resposta com prova científica.

Para percebermos o parte do drama basta ver problemas de segurança básicos que existem em muitas aplicações na Web e fora dela. Muitas vezes a criação de um programa deixa de ser uma sequência de passos já definidos, para ser inspiração da musa da programação, e onde se escrevem linhas e linhas de código, simples frutos de súbita (des)inspiração. Em vez de programadores passam a poetas, que se inspiram na sua musa, e que em vez de Redondilhas criam “Centilhas”. Muitas vezes sem perceberem que estão a fazer algo e a desfazer nas linhas seguintes, e onde só está a ser gasto processamento.

A verdade é que os erros não vão desaparecer completamente, porque continuámos a ver erros na nossa civilização que custam dinheiro e até vidas. Todavia, e felizmente o número de pontes, aviões e outras invenções não “caem” com tanta frequência como “caem” as aplicações. Porque aí o problema está muitas vezes no ser humano que verificou, e que fez um erro na verificação. Por isso era provável que conseguíssemos melhores resultados se fosse feita uma aposta forte no cálculo e correcção de algoritmos.

António Silva

Publicado na edição 30 (PDF) da Revista PROGRAMAR.