Mitos do jQuery

Mito #4: O jQuery torna o código mais rápido

Há até quem ache que a página fica mais rápida com jQuery… Na maioria das vezes, o código até fica mais lento. O jQuery facilita imenso a escrita de código JavaScript, pelo que é fácil cair-se em graves erros que afetam a performance (principalmente no mau uso de seletores e na manipulação do DOM). Não quer isto dizer que não se deva usar bibliotecas, pois a velocidade de desenvolvimento e inteligibilidade do código aumentam muito, mas ao fazê-lo, deve-se ter noções mínimas de como faria as coisas sem a mesma e como ela está a fazê-lo “por baixo”.

Bibliotecas JavaScript, como o jQuery, promovem a escrita de código cross-browser fácil de ler e modificar, oferecendo capacidades avançadas (ex.: emulação de classes), com isso aumentando muito a velocidade de desenvolvimento no geral.

Mito #5: O jQuery Mobile é o jQuery para mobile

O nome jQuery Mobile é muito enganador e é a causa deste mito: leva a crer que o jQuery Mobile é a versão do jQuery mas para mobile quando na realidade é um complemento. O jQuery UI está para o desktop assim como o jQuery Mobile está para o mobile: ambos dependem do jQuery e ambos oferecem componentes gráficos (ex.: listas, seletor de data, tabs, etc.). Assim, o jQuery Mobile não é alternativa ao jQuery mas sim uma biblioteca de componentes para mobile, tal como o jQuery UI o é para desktop.

Mito #6: O jQuery só existe por causa do IE

O jQuery apoia imenso no suporte cross-browser, especialmente no IE. São inúmeros os bugs do IE contornados pelo jQuery, principalmente de versões antigas. O jQuery 2.x, contudo, suporta o IE 9 e posteriores, deixando o 6, 7 e 8 para trás (isto fica para o jQuery 1.x, que segue o seu desenvolvimento). Então… se a tendência é os browsers respeitarem as normas e o jQuery deixar de suportar browsers que não o façam… faz sentido continuar a usá-lo? Sem dúvida que sim, pois:

  • É utópico pensar que os browsers serão todos iguais e respeitarão totalmente as normas, pelo que haverão sempre coisas que o jQuery tentará normalizar (por exemplo, o browser nativo do Android 2.3);
  • O estilo JavaScript obtido com o jQuery torna o código fácil de ler/manter, coerente e “fazendo muito com pouco” (o slogan do jQuery é: Write Less, Do More); a API do jQuery é fluente, coerente e chainable;
  • O jQuery tem inúmeras ferramentas utilitárias bem testadas: chamadas AJAX, travessia e manipulação DOM, animações, etc.; as funções do jQuery são muito flexíveis: a mesma função tem muitas combinações consoante o input que recebeu.

Isto leva à questão: “devo ou não usar jQuery no meu projeto?”… Em poucas palavras, depende das características do projeto. Em muitas palavras, a resposta será guardada para outro artigo…

Publicado na edição 44 (PDF) da Revista PROGRAMAR.