Primeiros passos no desenvolvimento de aplicações Android

Criar o primeiro projeto

Depois de instalar o Android Studio, abra-o e vamos em File > New Project. Devemos nos deparar com um ecrã conforme a Figura 5.

Android Studio: Criar um novo projeto
Figura 5: Criar um novo projeto

Este é o primeiro passo para criar o primeiro app. Em Application Name dever colocar o nome da aplicação, este nome é o que aparecerá para o utilizador na lista de aplicações no smartphone. Em Company Domain deve colocar o domínio da empresa, caso não possua é extremamente recomendável que registe um domínio no momento da distribuição da aplicação nas lojas online como o Google Play, pois cada aplicação Android deve ter um domínio único, o que identificará a aplicação entre as milhares de outras disponíveis. O Package Name geralmente é criado com base no domínio da aplicação, para este exemplo, deixe o package name conforme foi criado pelo IDE.

Android Studio: Selecionar as APIs de desenvolvimento
Figura 6: Selecionar as APIs de desenvolvimento

Após isso, deve especificar quais são os dispositivos que irão executar a aplicação, podendo ter como alvo os smartphones e tablets (a diferença de uma aplicação de smartphone e tablet geralmente está no tamanho do ecrã), Android TV, Android Wear e o Google Glass. Para esta aplicação iremos selecionar somente a opção Phone and Tablet, e selecionar uma API alvo para desenvolvimento. Cada versão do Android possui um número de API, sendo que este número é utilizado pelos programadores para especificar quais versões do Android são capazes de executar a aplicação. Para este exemplo selecionei a API 16, que corresponde a versão 4.1 do Android, conhecida também como Jelly Bean (note que os nomes das versões do Android são também nomes de sobremesas? Saiba mais sobre isso em: http://www.android.com/history/), que apesar de não ser atual, ainda corresponde a 78.3% dos dispositivos na Google Play Store, atingindo mais de metade dos dispositivos com Android em funcionamento no mercado, além de ser a versão do Android que instalarei ao configurar um dispositivo virtual no Genymotion.

O Google adotou o IDE Android Studio como padrão para desenvolvimento pela produtividade que os programadores conseguem ao utilizar o mesmo. Um exemplo desta produtividade são os templates de Activities que oferece no momento de criar uma aplicação. Activities são um dos principais recursos existentes em Android, sendo basicamente um fluxo de execução que será mostrado ao utilizador, ou seja, ao utilizar as aplicações, cada ecrã do seu smartphone corresponde a uma Activity. Elas são fundamentais, pois sem elas não seria possível interagir com o utilizador. Para esta primeira aplicação vamos criar uma Blank Activity, onde será criada uma atividade em branco, pronta para programarmos as nossas aplicações.

Android Studio: Templates de Activities
Figura 7: Templates de Activities

No ecrã da Figura 8, vamos colocar o nome da Activity layout_name. No Android, toda a lógica das aplicações são feitas em Java e toda a parte gráfica dos ecrãs dos dispositivos em XML. Por padrão, deixo sempre a primeira Activity conforme o ecrã acima. Após isso, criamos um projeto Android com todos os ficheiros e recursos necessários para iniciar estudos no desenvolvimento de aplicações para esta plataforma.

Android Studio: Criar uma  Activity
Figura 8: Criar uma Activity

Diretórios do projeto Android

Ao criar o projeto conforme descrito anteriormente, deparamo-nos com a estrutura de diretórios da Figura 9. Irei explicar brevemente o que cada diretório e seus ficheiros representam.

  • ManifestoO ficheiro AndroidManifest.xml é um dos ficheiros mais importantes, pois todas as permissões da aplicação, todas as atividades e recursos que irá utilizar deverão estar declarados neste ficheiro. Caso a aplicação utilize algum recurso que não esteja declarado neste ficheiro, este recursos simplesmente não irá funcionar ao distribuir o app.
  • JavaOs ficheiros Java são responsáveis pela lógica e controle da sua aplicação, sendo que os ficheiros em XML serão responsáveis pela parte de visualização. Toda a lógica e regras deverão estar implementados nestes ficheiros em Java. Sinta-se livre para criar outros pacotes e administrar o seu projeto em Java da forma que achar mais conveniente.
  • resA pasta res vem da palavra resources que significa recursos em português. Este diretório deverá conter todos os recursos gráficos que a aplicação irá utilizar, como imagens e ficheiros XML. Basicamente, as imagens deverão estar no diretório drawable  e os demais ficheiros XML em seus respectivos diretórios, como layout (especifica o layout de todas as activities da aplicação; é possível criar layouts diversos para diferentes tamanhos e tipos de ecrã; saiba mais em: http://developer.android.com/training/basics/supporting-devices/screens.html), menu (especifica como serão todos os menus da aplicação) e em values. Para quem está a começar, o ficheiro mais importante do diretório values é o strings.xml. É fortemente recomendável que todas as strings que apareçam na aplicação, principalmente as strings do layout sejam referenciadas por este ficheiro, pois isto permite a fácil internacionalização das aplicações. Assim, se quisermos criar um ficheiro para cada linguagem, basta traduzimos estas strings e o próprio Android irá se encarregar de carregar o ficheiro necessário com base na linguagem utilizada pelo sistema. Caso não exista um ficheiro strings.xml para a língua utilizada no sistema, será carregado um ficheiro padrão, que também poderá ser definido pelo programador.
Android Studio: estrutura de directórios
Figura 9: Estrutura de directórios

Basicamente esta é a estrutura de diretórios de um projeto Android. É claro que se aprofundarmos em cada um destes ficheiros iremos descobrir diversas funcionalidades possíveis . No entanto , isto é o básico que devemos entender para iniciar o desenvolvimento das nossas aplicações.

Publicado na edição 49 (PDF) da Revista PROGRAMAR.