Que tipo de BD és tu?

Desde que nascemos somos autênticas esponjas, absorvendo informação à nossa volta. Tornamo-nos numa verdadeira base de dados em constante actualização. Aprendemos a comer, a falar, a ler e a escrever… Fazemos tantas coisas que não temos ideia como aprendemos. No entanto, chega o momento em que não absorvemos apenas o que nos rodeia, mas buscamos nós próprios informação e aprendizagens que nos interessam.

Começamos na escola, quando nos interessamos por determinados assuntos mais do que por outros. Depois no ensino secundário, em que escolhemos já uma área de estudo para aprofundar. Finalmente no ensino superior, onde fazemos um curso na área que escolhemos (pelo menos muitos de nós).

Ora no decorrer do nosso percurso de vida, vamo-nos diferenciando pela positiva ou pela negativa, relativamente aos que nos rodeiam. Podemos ser o emplastro que se cola aos que trabalham, podemos ser daqueles que trabalha apenas para o 10, para fazer a disciplina e já é bom, podemos trabalhar para ter notas razoáveis, aprendendo apenas o que os professores debitam em horas e horas de aulas, ou podemos ser pesquisadores, procurando cada vez mais conhecimento.

Ressalvando todos aqueles que podem ser considerados excepções, são muitos os que apenas se contentam com o que lhes é ensinado, sem se preocuparem em questionar ou ir mais além. Isto resulta no mercado de trabalho que temos hoje em dia, com tudo feito e inventado, chegando ao ponto de cada mínima inovação ou novidade ser motivo de notícia nacional.

Ora se os currículos das disciplinas estão condicionados pelo conhecimento dos docentes que as leccionam, muitos deles alheios ao mercado de trabalho e às realidades extra-sala de aula, como pode haver lugar para evolução tecnológica? Concordo que os docentes não devem leccionar apenas o que se utiliza no mercado de trabalho, senão não haveriam ideias novas.

Mas o busílis da questão é este: até que ponto estamos confortáveis no nosso conhecimento? Até que ponto nos contentamos com a mediocridade de não procurar aprender mais, e socorremo-nos do amigo que até sabe umas coisas, na hora do aperto?

O tempo das desculpas esfarrapadas já era. Diz-se por aí que vivemos na era do conhecimento e da tecnologia, e que o saber não ocupa lugar. Aquele que realmente quer aprender e evoluir no seu percurso de aprendizagem, potenciando-se como uma mais-valia no mercado de trabalho, pode encontrar as mais variadas ferramentas que lhe permitem, mesmo no conforto do seu lar, continuar a aumentar a sua base de dados.

A vantagem do ser humano é que, ao contrário de um computador que está limitado pela sua capacidade de disco rígido, tem um cérebro que vai sempre arranjando espaço para tudo o que entra. Muitas vezes crasha, é certo, mas não é nada que uma boa dose de descanso não resolva.

O problema do ser humano em geral é uma coisa muito comum, que muita gente tem, mas poucos gostam de admitir: preguiça.

Somos capazes de perder horas em redes sociais a fazer likes às fotos dos amigos que foram de férias ao fim do mundo, a ver o que se passa na vida de uns e de outros, ou até em joguinhos nas mais variadas formas… Mas quando foi a última vez que lemos um livro? Quando foi a última vez que procuramos novas informações e novidades na nossa área de trabalho?

Por que é que estamos sempre à espera de ter o peixe assado na brasa, no pratinho com a faca e garfo ao lado, em vez de pegarmos na cana e irmos à pesca?

Muitas oportunidades passam ao lado para aqueles que não se preocupam em evoluir. A curva de aprendizagem declina se não fizermos nada. A palavra emburrecer pode não aparecer no dicionário, mas existe na vida real. Basta não fazermos nada e ficarmos com aquilo que já sabemos, achando que somos uns grandes prodígios. Dá que pensar, não dá?

Publicado na edição 47 (PDF) da Revista PROGRAMAR.