Raspberry Pi2 – Evolução ou Revolução?

Raspberry Pi 2Há poucas semanas foi anunciado o novo Raspberry Pi2. Foi colocado à venda ao público e em poucos dias estava esgotado, aliás na altura em que escrevo este artigo, as lojas da especialidade continuam com o pequeno Pi2 fora de stock.

Eu própria não fui a tempo da loucura que envolveu o novo lançamento, as lojas da especialidade que procurei online todas me diziam que estavam sem stock. Com um pouco de sorte, e com o dedo de um amigo meu à mistura, o qual aproveito desde já para deixar um agradecimento pessoal (Miguel Conceição, sem ti, este artigo não teria o campo experimental que teve), eis que me chegou o Raspberry Pi2 às mãos.

 

Ainda sem falarmos em especificações e características deste novo modelo, o que me chamou mais a atenção foi o facto do novo Pi2 vir mais “arrumadinho”. Para os leitores que não têm bem presente a imagem do Raspberry Pi Modelo B, aqui deixo uma imagem dos dois lado a lado.

Raspberry Pi: 1 vs 2

Aquelas entradas amarela e azul, saíram. Deixamos de ter entradas de todos os lados do Pi, para no Pi2 termos tudo mais arrumadinho, mais sóbrio. Digamos que é como se o nosso Pi tivesse deixado a fervura da adolescência para entrarmos no mundo mais sério.

Mais sóbrio, mais arrumado, mais robusto. A própria caixa vem já com aberturas a pensar nos acessórios como a camera por exemplo.

Se podemos dizer que o Raspberry Pi B+ ficou um pouco aquém das expectativas, a verdade é que o Pi2 pode ser uma agradável surpresa. Não que seja um supra sumo da sua classe, porque não o é. A HummingBoard que falamos no último artigo sobre o Pi continua a ter um desempenho superior. 

Mas tendo em conta que a nova versão deste pequeno computador vem ao mesmo preço da versão anterior, posso dizer-lhe caro leitor, que é uma agradável surpresa. 

Como seria de esperar, o Pi2 é em tudo compatível com as versões anteriores, como pode ser visível pela fotografia em que ambas as versões estão lado a lado, a saída de vídeo RCA deixou de existir da mesma forma na nova versão, assim como a porta de áudio, sendo que fica apenas a entrada HDMI

Até ai tudo bem, pois quando o usamos como centro multimédia em casa, queremos é dar uso ao HDMI, eu pelo menos.  A verdade é que o BluRay não era suportado em condições plenas nas versões anteriores, o Pi2 veio dar uma nova luz aos amantes do Pi como centro multimédia. 

Outra das novidades é que a nova versão mantém as quatro portas USB já presentes no B+. O que é óptimo porque depois de ligar o rato e o teclado via USB, eu ficava sempre a precisar de mais portas na primeira versão.

Algo muito interessante neste novo modelo, é que na porta RJ45 já estão as luzes in e out, convencionais dos computadores, o que torna tudo mais simples na altura de verificarmos se há de facto actividade na porta. 

Não cheguei a adquirir o modelo B+, tinha apenas o modelo B e agora passei a ter também o Pi2. Talvez por isso ache as diferenças mais acentuadas entre os dois. E talvez por isso me tenha agradado tanto o Pi2

Aos leitores que não se recordam, o Pi1 tinha as luzes de actividade todas juntas, na própria placa, o que se tivéssemos o mini computador dentro de uma caixa que não fosse transparente, não nos permitia facilmente verificar as luzes emitidas. Agora mesmo que tenhamos o Pi2 numa caixa, facilmente vemos a actividade da RJ45, assim como a luz vermelha da corrente, ou a luz verde da actividade do CPU (estas duas últimas encontram-se lado a lado na lateral do Pi2).

Outra diferença notória é o facto de que esta nova versão não aquece tanto de facto. Numa utilização mais demorada, isso é um facto que salta à vista, ou “à mão”, pois o mini computador já não está tão quente quando lhe pegamos. À semelhança do B+, o Pi2 consome de facto menos energia. O Pi1 utilizava um cartão SD, sendo que este utiliza um cartão micro SD, (que fica bem arrumadinho dentro da caixa sem sobressair para fora como na primeira versão).

Só por estas alterações, eu teria ficado satisfeita com a nova aquisição. A pequena placa, está de facto mais parecida com o computador convencional que conhecemos. Mas há mais ainda.

Permita-me, caro leitor, voltar um pouco atrás e falar-lhe sobre as especificações desta nova versão.

O Raspberry Pi2 é a segunda geração do Raspberry Pi, portanto tem tudo o que a versão anterior tinha e mais:

  • 900MHz quad-core ARM Cortex-A7 CPU
  • 1GB RAM
  • 4 USB ports
  • 40 GPIO pins
  • Full HDMI port
  • Ethernet port
  • Camera interface (CSI)
  • Display interface (DSI)
  • Micro SD card slot

A memória passou a ser de 1GB (contra 512MB da versão anterior), passamos a ter um CPU bastante mais potente visto que a versão inicial era um CPU 700 MHz single-core ARMv6.

Mais memória, pelo mesmo preço. E um CPU bastante melhor também. Dois pontos muito positivos. 

O CPU, da família ARMv7, cujos processadores Cortex-A foram desenhados especificamente para executar funções e aplicações mais complexas, são encontramos em vários sistemas embutidos, assim como em smatphones e tablets. A sua eficiência de desempenho na questão qualidade preço, torna-os apetecíveis. 

Falando na arquitectura ARM, num pequeno resumo das diferentes versões  de máquinas RISC OS como o caso do Raspberry.

  • ARMv6 – Raspberry Pi (original baseada em ARM11)
  • ARMv7 – BeagleBoard, PandaBoard, Raspberry Pi 2, IGEPv5, iMx6, e outro Cortex-A7, A8, A9, A15.

O Raspberry Pi2 tem um CPU ARMv7, enquanto os modelos mais antigos (A, B, B+) usam CPU ARMv6. Os modelos ARMv6 são capazes de tirar proveito de um modo de compatibilidade (activado por padrão para a distribuição Pi RISC OS standard), que lhes permitam executar ARMv7 não-software compatível (caso o software seja anterior a 2002, pode não ser compatível). Contudo para aqueles que usam e abusam da “linguagem C na sua forma mais pura”, uma nova recompilação bastará para garantir que o programa continuará a ser compatível com a nova versão do Pi2.

A verdade é que experimentei programar um pequeno programa em C pelo famoso pico, na prompt do Raspbian e não senti diferenças significativas entre o Raspberry Pi1 e o Pi2. Funcionaram na perfeição os dois.

Uma outra experiência efectuada foi usando o OpenElec, uma distribuição Linux para o Raspberry funcionar como centro multimédia. 

O novo membro da fundação Raspberry é de facto muito mais rápido que o anterior. As imagens seguintes mostram um teste à performance do BluRay, sendo que ambas as versões do Pi estão a correr o mesmo filme, e na mesma televisão. É notória, a diferença entre as duas versões.O Pi2 está muito mais rápido. Mais palavras para quê?

Raspberry Pi1: desempenho
Figura 1: Desempenho Versão Modelo Pi1
Raspberry Pi2: desempenho
Figura 2: Desempenho Versão Modelo Pi2

O novo Raspberry está bastante melhor que as versões anteriores, é um facto. E ao longo dos últimos anos, este mini computador tem conquistado o seu lugar, conquistando novos aficionados. Mas em que é que está versão pode ser diferente?

Tem mais RAM, é mais rápido mas onde pode estar a diferença que fez com que em poucos dias tenha esgotado nas lojas?

Se olharmos friamente, as novas características não bastam para que possa ser apetecível ao ponto de esgotar. O meu primeiro notebook, há dez anos atrás tinha a mesma RAM que o Pi. E o Linux é ainda um sistema operativo que a maior parte do público não usa. Para termos um media center em casa, a maior parte das pessoas acaba por continuar a utilizar a Box do fornecedor de telefone/TV/internet. Então porquê tanto alarido à volta deste lançamento?

A resposta é simples. O Raspberry Pi2 terá suporte para o novo Windows 10. Este pode sim, ser o grande trunfo da nova versão, que vai permitir ao público que ainda não conhecia o Raspberry, se interesse por ele. Porque será de facto o computador Windows mais económico de todos os tempos.

 

Raspberry Pi2: Windows 10A parceria entre a fundação Raspberry e a Windows foi anunciada na altura do lançamento da nova versão da fundação. A ideia principal é que seja criada uma versão do Windows 10 que seja suportado pelo Raspberry Pi, sendo que será gratuita para o consumidor final, atrás do programa da WindowsWindows Developer Program for IoT”. Fontes oficiais, explicam que o Windows está a caminhar para um mundo mais móvel, natural e fundamentado na confiança e na proximidade com o consumidor. Esta parceria, tentará uma nova abertura entre open source versus Windows versão paga. A verdade é que será a primeira versão gratuita de um sistema operativo Windows.

Dentro de 6 meses, é esperado o lançamento do Windows 10 suportado para o Raspberry Pi2. E este é de facto o ponto forte do pequeno mini computador pelo interesse que conseguiu despertar em toda a comunidade em geral. 

Os já aficionados, esperam novas potencialidades na expectativa. Os que desconheciam o Pi, olham para ele agora curiosidade. 

Os que me conhecem, sabem que apesar de gostar de trabalhar em Linux, que sou assumidamente fã Microsoft, e esta noticia aumentou sem dúvida o meu interesse pessoal pelo Pi, mas seja qual for o grupo em que eu e o leitor se insira, uma coisa é certa. O Raspberry Pi veio para ficar, conquistou o seu lugar e acredito que daqui a uns tempos volte a surpreender-nos. Ficamos a aguardar.