RIP

No inicio de Outubro faleceu Steve Jobs, mais precisamente um dia antes do lançamento da edição anterior da Revista PROGRAMAR. Sete dias depois faleceu Dennis Ritchie. Doze dias depois faleceu John McCarthy. Independentemente de se gostar ou não, a verdade é que aquilo que fizeram influenciou a vida de muitas pessoas. Dennis Ritchie foi um dos pais do C, linguagem que influenciou a vida de todos os programadores, quer directa quer indirectamente, quer usem ou não C para programar. John McCarthy foi o pai do Lisp, que apesar de não estar tão disseminado na programação, têm uma grande relevância, principalmente na área da Inteligência Artificial. Steve Jobs levou a Apple rumo ao sucesso, depois da empresa sem si ter afundado, quase a ponto de se extinguir. E é verdade que cada um fez muito mais, estes são, no entanto, e na minha opinião as marcas mais importantes de cada um deles.

Assim, não tenho qualquer receio de afirmar que todos eles merecem a nossa consideração pelo que fizeram e alcançaram, quer se concorde ou não com algumas ideias e filosofias. Mas a verdade é que o mais destacado foi sem dúvida Steve Jobs. Mereceu notícias de abertura em canais de televisão, notícias de primeira página em jornais e revistas, entre outras, enquanto Dennis Ritchie e John McCarthy ficaram quanto muito com algumas linhas em jornais e revistas, e um pouco mais em revistas e comunidades ligadas à programação e tecnologia. Muitos insurgiram-se pelo facto de não haver o mesmo destaque entre todos. Mas a verdade é que ambos viviam muito mais à sombra da sociedade em geral que Steve Jobs. Contudo não foram esquecidos. O Fedora 16, lançado cerca de um mês depois da morte de Dennis Ritchie foi-lhe dedicado. Durante a sua vida John McCarthy recebeu também inúmeros prémios, como por exemplo o prémio Turing. Também é verdade que muitos se apressaram quase a colocar Steve Jobs num pedestal, removendo-lhe os defeitos. Mas ele tinha os seus, tal como Dennis e John. Mas seria melhor pessoa, melhor “informático” que os outros dois? É provável que não. Apenas era mais visível, e o mediatismo fez o resto. Mas a verdade é que terminaram a sua existência terrena tal como a conhecíamos. Talvez sem puderem dizer um adeus a quem gostavam ou queriam, tal como Dennis Ritchie que faleceu sozinho em sua casa.

Da minha parte resta-me deixar um obrigado aos três pela sua contribuição para as tecnologias da informação, e um até sempre a todos os leitores e equipa da Revista PROGRAMAR, pois esta será a minha última edição como coordenador. Foram mais de 3 anos de participação neste projecto, passando por redactor, revisor, editor e agora coordenador. Bastante tempo, considerando que o projecto tem aproximadamente 6 anos. Mas saio com a sensação de dever cumprido, sabendo que fiz todos o que estava ao meu alcance para levar a revista mais longe, com ajuda de toda a equipa da Revista PROGRAMAR, a quem deixo também um muito obrigado. Durante o tempo que estive como editor e coordenador mudámos o visual para algo mais apelativo, criámos parcerias com comunidades, passamos a distinguir os artigos mais votados, entre várias outras mudanças internas. Tudo isto graças à excelente equipa que torna possível a existência da Revista PROGRAMAR. Saio também com a certeza de ser bem substituído pelo António Santos, aquém deixo desde já um obrigado, e desejo que com a sua a ajuda a Revista PROGRAMAR chegue ao “infinito e mais além”.

Até sempre,
António Silva

Publicado na edição 32 (PDF) da Revista PROGRAMAR.