Techdays 2008

O maior evento tecnológico nacional esteve de volta ao Centro de Congressos de Lisboa, para mais uma edição de conhecimento, inovação e entretenimento, dedicada a profissionais de IT, programadores e académicos desta área.

Este evento veio na continuidade dos anos anteriores e dos vários eventos realizados pela Microsoft nesta área. A cerimónia de abertura contou com a presença de Carlos Zorrinho, o coordenador do Plano Tecnológico e teve o Alto Patrocínio do Presidente da República.

A edição 2008 do Techdays ficou marcada pelo enorme interesse e participação dos profissionais de IT e programadores nacionais ligados às tecnologias Microsoft. No final do período de registo antecipado, 70% dos lugares estavam já vendidos e a 1 semana do evento, atingiu-se um impressionante número de 2500 inscrições (2000 profissionais e 500 estudantes). A capacidade máxima do evento foi atingida, tendo sido dadas mais de 150 sessões técnicas por 120 oradores, tendo sido claramente a maior edição deste evento.

Durante os três dias foram demonstradas novas formas de utilizar, rentabilizar, gerir sistemas de informação e o que se pode fazer com toda a riqueza de abordagem e ferramentas de desenvolvimento aplicacional.

Durante o Techdays, a Microsoft aproveitou também para apresentar a sua nova gama de servidores – Windows Server 2008, Microsoft SQL Server 2008 e Visual Studio 2008. Entre os vários objectivos apontados para o evento, a Microsoft identificou a criação junto dos seus programadores da nova figura do “Devigner” (resultante do cruzamento entre o designer e o developer) e do “Admilaxado” (um administrador de sistemas mais relaxado) para o qual a empresa acredita que os seus novos produtos vão contribuir decisivamente. O Techdays associou-se este ano a causa do ambiente lançando o slogan “For a world 2.0” Possibilitando a todos os participantes a entrega de material informático obsoleto para posterior reciclagem, bem como efectuando a plantação de árvores junto com a Quercus para contrabalançar as emissões de CO2 resultantes da energia consumida durante todo o evento.

As sessões deste ano focaram-se particularmente na Web 2.0, na mobilidade, no meio ambiente e na forma como as novas tecnologias podem ser utilizadas ao serviço desta temática e no desenvolvimento económico e social.

Os vários hands on labs foram muito concorridos, tendo havido muitas pessoas que não tiveram oportunidade de realizar os vários laboratórios por estes se encontrarem cheios.

Devido a impossibilidade de assistir a todas as sessões, pois são realizadas várias em simultâneo, em seguida deixo uma breve descrição de algumas sessões a que assisti.

INT04 – Qual é o Contexto desta Conversação? Activando Conversações Longas em Serviços de Workflow. Serviços “Duráveis”

Orador: José António Silva, Microsoft

Tendo em consideração a natureza dos workflows onde uma instância de workflow pode estar activa durante um período de tempo longo (“long running instance”), é necessário desenvolver os serviços WCF de forma a suportar este tipo de cliente. Esta sessão abordou o tema de serviços “duráveis”. Estes são um novo tipo de serviço da .NET Framework 3.5 que permite simplificar a persistência de estado numa “conversação” entre um serviço WCF e um cliente (ex: um workflow). O modelo de persistência do estado de um serviço WCF é em tudo idêntico ao de WF, sendo possível guardar o estado em BD, files system, etc . De forma a tornar um serviço WCF “durável” basta usar o prefixo “Durable” nos atributos da classe do serviço.

[Serializable] 
[DurableService] 
public class TextComposer : ITextComposer 
{ 
    private string CurrentText ; 
    [DurableOperation] 
    public string PowerOn(string text) 
    { 
        CurrentText = text; 
        return CurrentText; 
    } 
} 

Mais informação sobre “Durable Services” em weblogs.asp.net/gsusx/archive/2007/06/14/orcas-durable-services.aspx (post antigo mas com uma boa explicação) e em www.microsoft.com/uk/msdn/nuggets/nugget/270/Durable-Services-with-WCF-V35.aspx (screencast).

Algumas tools interessantes para WCF referidas durante a sessão: Configuration Editor Tool – aplicação que permite que permite a edição das configurações de serviços WCF com uma interface gráfica. Mais informação em msdn2.microsoft.com/en-us/library/ms732009.aspx.

WCF Test Client – aplicação que permite efectuar testes “offline” sobre serviços WCF. Mais informação em msdn2.microsoft.com/en-us/library/bb552364.aspx.

Service Trace Viewer Tool – aplicação que permite a análise dos logs de mensagens geradas pelo WCF. Mais informação em msdn2.microsoft.com/en-us/library/ms732023.aspx.

ARC01 – Software + Services: The Convergence of SaaS, SOA and Web 2.0

Orador: Beat Schwegler, Microsoft

Esta sessão retratou um tema muito em voga: o Software + Services. A sessão não teve qualquer demo, tendo tido uma componente bastante teórica, tendo sido iniciada com a referência a três conceitos importantes: SaaS (msdn2.microsoft.com/en-us/architecture/aa699384.aspx), SOA (msdn2.microsoft.com/en-us/architecture/aa948857.aspx) e Web 2.0 (twopointouch.com/2006/08/17/10-definitions-of-web-20-and-their-shortcomings/).

Foram referidos alguns exemplos de modelos de negócio usados com S+S: Subscription/License Model, Advertisement Base Model (ex: Google). Foram dados ainda alguns exemplos de aplicações S+S: Eve Online (www.eve-online.com/), o Amazon S3 (www.amazon.com/gp/browse.html?node=16427261) e a British Library. Por fim, foram ainda referidos alguns exemplos concretos de implementação do S+S pela Microsoft:

  • Finished Services – Windows Live, Office Online
  • Attached Services – XBOX Live
  • Building Blocks – BizTalk Services

INT06: Viagem ao Centro da Núvem – O Internet Service Bus (ISB) e os BizTalk Services

Orador: João Pedro Martins a.k.a “Jota”, Create IT

A sessão começou de uma forma muito interessante com o Jota a “provocar” a audiência com algumas ideias sobre a forma como será o mundo das aplicações no futuro como a transição de um mundo com “data centers” nas próprias empresas para um em que o “hosting” é feito por grandes empresas com super “data centers” dedicados a fazer o “hosting” de milhares de aplicações. Foi uma forma interessante de cativar desde início a audiência. Neste sentido, foram dadas algumas estatísticas interessantes como a previsão do aumento de número de servidores de hosting da Microsoft de 200000 actuais para 800000 em 2011, indo de encontro à adopção do conceito de Software como um serviço (S+S) com as aplicações a ser alojadas em “hosting” externo e serem expostas como serviços. Os BizTalk Services, são basicamente a visão da Microsoft da forma como as aplicações irão comunicação entre si no futuro, facilitando o desenvolvimento de aplicações orientadas a serviços (SOA). A ideia fundamental dos BizTalk Services é a de permitir a comunicação segura entre as aplicações das organizações através de firewalls.

DEV06 – ADO.NET Entity Framework e LINQ To Entities

Orador: Luís Falcão (ISEL)

Nesta sessão foi abordada a ADO.NET Entity Framework (msdn2.microsoft.com/en-us/library/aa697427(VS.80).aspx), uma nova framework cujo objectivo é o de aumentar o nível de abstracção no que diz respeito à programação da camada de acesso a dados. Um dos problemas mais comuns no desenho das classes DAL é o esforço associado ao mapeamento entre as classes DAL e a BD. A Entity Framework permite facilitar esta tarefa ao disponibilizar um diagrama integrado no Visual Studio 2008. Usando o Solution Explorer é possível importar todo a estrutura de uma base de dados para um diagrama de classes que é a transformação do modelo de dados num modelo de classes mapeado directamente com a estrutura da BD. Depois é possível definir novas relações entre as classes, definir heranças entre classes (não é possível definir herança ao nível da BD), mapear os dados de uma classe para que estes sejam divididos entre duas ou mais tabelas entre outras funcionalidades.

Na nova API vem incluído um novo .NET provider para Entity Framework (Entity Client) que é o correspondente ao SqlClient (para SQL Server) para actuar sobre as entidades criadas com a Entity Framework.

Ainda se encontra em versão beta e nesta fase só permite gerar o Entity Model a partir da BD, não permitindo ainda criar primeiro o modelo antes e gerar a BD a partir deste.

Conclusão

Em suma, foi, sem dúvida nenhuma, um óptimo evento no qual se viu que a Microsoft procura recuperar da imagem negativa e também dar a conhecer o quanto poderoso é neste momento o .NET.

Para mais informações sobre este evento visitem o site oficial www.techdays.pt/.

Publicado na edição 14 (PDF) da Revista PROGRAMAR.